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O aparelho mastigatório, constituído por ossos, músculos,
articulações, ligamentos e dentes, é extremamente
complexo. Essas estruturas relacionam-se entre si para
desempenhar várias funções, sendo as principais a
mastigação, a fala e a deglutição. Os movimentos
necessários para qualquer uma dessas funções são
coordenados por um complexo sistema neuronal, o qual visa o
máximo de função com o mínimo de dano para as estruturas
que compõem o sistema (Oliveira,
2002, Okeson, 2008, Paiva, Paiva, 2008).
A terminologia empregada, Disfunções Temporomandibulares
ou DTM, refere-se a um conjunto de alterações funcionais
e/ou estruturais que se manifestam nas articulações
temporomandibulares (ATMs), nos músculos da mastigação
(MM) e nas estruturas associadas que compõem o aparelho
mastigatório (Okeson,
1996).
Sinais
e sintomas das DTM
A DTM é considerada um subgrupo das disfunções
musculoesqueletais e constituem a principal fonte de dor na
região facial, excluindo-se as de origem dental (Okeson,
1996).
As queixas mais comuns dos indivíduos com a DTM são: a dor
ou desconforto na região da face e das ATMs dor essa
desencadeada ou exacerbada pela função mandibular
(mastigação principalmente) (1); a limitação da função
mandibular com ou sem desvios no movimento de abertura bucal
(2); os ruídos nas ATMs (estalidos e crepitações) (3); as
dores de cabeça (4); as alterações na qualidade do sono
(5) (Solberg
et al., 1979; Oliveira, 2002; Conti et al., 1996; Okeson,
1996; McNeill, 1997; Yatani et al., 2002; Collesano et al.,
2004; Vazquez-Delgado et al., 2004; Oliveira et al., 2006;
Selaime et al., 2006;; Cooper, Kleinberg, 2007).
Etiologia
das DTM
Vários são os fatores que contribuem para que uma
disfunção do sistema mastigatório se desenvolva (Okeson,
2008).
Dentro do conceito multifatorial da DTM esses fatores
podem ser divididos, de forma objetiva, em os que contribuem
para o aumento do risco de uma DTM, denominados de
predisponentes; os que provocam o início da DTM,
denominados de desencadeadores; e os que dificultam ou
interferem com o mecanismo de "cura" ou aumentam o
grau de complexidade dessa disfunção, levando a estágios
mais graves de limitação ou incapacitação, denominados
de perpetuação (Okeson,
2008).
Os fatores predisponentes são difíceis de serem
identificados, mas podem ser subdivididos em sistêmicos,
psicológicos e estruturais. Qualquer tipo de trauma
(direto, indireto e microtrauma), a sobrecarga das
estruturas articulares e os hábitos parafuncionais
(bruxismo, por exemplo), compõem o grupo dos fatores
desencadeadores. Dentro dos fatores perpetuadores estão as
tensões mecânicas e musculares, os problemas metabólicos
e, principalmente, as alterações comportamentais e
psicoemocionais (Okeson,
1996).
Prevalência das DTM
Os números apresentados por vários estudos não deixam
dúvidas quanto à alta prevalência da DTM na população
em geral, a qual atinge de 16 a 59% dos indivíduos (Solberg
et al., 1979; Oliveira, 1992; Conti, 1993; Conti et al.,
1996; Oliveira et al., 2006; Cooper, Kleinberg, 2007).
Acrescente-se a esses dados os fornecidos pela American
Academy of Orofacial Pain (Okeson,
1996),
que revelam que de 50 a 80% da população apresenta algum
sinal ou sintoma de sofrer de uma DTM. Cerca de 10% dos
portadores da DTM necessitam de tratamento, uma vez que essa
disfunção pode trazer sérias limitações funcionais
(incapacidade mastigatória e limitação da abertura bucal,
por exemplo), incapacitação para o trabalho e para as
atividades sócio-familiares. (Solberg
et al.,1979; Henrikson et al., 1997; Kuttila et al., 1997 ;
Nilsson, 2007).
A distribuição dos indivíduos que sofrem da DTM, quanto
ao gênero e à faixa etária, mostra que a incidência é
maior nas mulheres, na proporção de 5:1 e, geralmente, na
faixa etária entre os 20 e os 50 anos (Solberg
et al., 1979; Oliveira, 2002; Oliveira et al., 2006; Cooper,
Kleinberg, 2007).
Diagnóstico
das DTM
O diagnóstico das DTM é feito por um Cirurgião Dentista,
especializado ou capacitado na área da dor orofacial e das DTM, por meio da anamnese e de exames clínicos
específicos, que podem fundamentar o diagnóstico. A
anamnese deve possibilitar o levantamento da história
pregressa do indivíduo, assim como dos possíveis fatores
predisponentes, desencadeadores e perpetuadores.
A queixa da limitação da função mandibular é um sintoma
subjetivo patognomônio da alteração funcional que, como
as DTM, são manifestações musculoesqueletais, devendo a
palpação sobre a musculatura mastigatória e/ou sobre as
ATMs desencadear ou exacerbar os sintomas dolorosos
descritos pelo indivíduo. A dor ou o desconforto também
devem estar presentes durante os movimentos mandibulares da
abertura da boca (Okeson,1996).
A característica mais importante das DTM está relacionada
à cronicidade da dor. Os indivíduos com a DTM, apesar de
apresentarem uma grande variedade de sinais e de sintomas,
têm como razão principal para a busca do tratamento o
sofrimento causado pela dor crônica devido à DTM. O
aspecto multidimensional dessa dor implica que uma
avaliação completa das DTM passe pela análise dos
fatores biopsicossociais (List,
Doworkin, 1996). |